É fácil ouvir que você tem diabetes? Não. Entretanto, se você tiver informação de qualidade e aprender tudo que precisa para o seu dia a dia com a doença, pode ter uma vida longa, feliz e saudável. É normal que a cabeça gire, com muitas perguntas, medo e ansiedade. Mas quem está bem orientado consegue substituir o medo pela precaução!
A Prevenção e autocuidado são palavras-chave quando se fala em diabetes. Isso porque, na maioria das vezes, não há manifestação de sintomas ou mal-estar no paciente, acendendo um sinal de alerta para as possíveis complicações de saúde geradas pela doença.
Causada pela produção insuficiente ou resistência à insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo, a diabetes esteve, em 2018, entre as cinco principais causas de morte no Brasil.
A Federação Internacional de Diabetes estima que nós tenhamos, no Brasil, em torno de 16,8 milhões de pessoas com a doença. Mas o mais grave é que praticamente metade, 46%, desconhece esse diagnóstico. A gente tem um trabalho muito grande de buscar essas pessoas, porque elas podem, infelizmente, descobrir a doença tardiamente, já inclusive com complicações, explica a endocrinologista Hermelinda Pedrosa, presidente do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
O atendimento conduzido pela Atenção Primária à Saúde pode evitar hospitalizações e complicações relacionadas à doença. As úlceras nos pés – mais conhecidas como pé diabético – e as amputações de extremidades são as de maior impacto socioeconômico e que afetam a qualidade de vida do paciente com diabetes. A doença também pode provocar problemas arteriais, cardíacos, renais, nos olhos e no sistema nervoso.
Os fatores de risco para diabetes envolvem hereditariedade, obesidade ou excesso de peso e a falta de hábitos saudáveis no dia-a-dia. A melhor forma de prevenir é praticando atividades físicas regularmente, mantendo uma alimentação saudável e evitando consumo de álcool, tabaco e outras drogas.
“Quando você sabe que você tem um fator de risco, como um pai, uma mãe que tem diabetes, ou está aumentando o peso, precisa procurar fazer esse autocuidado preventivo. O diabetes anda de braços dados com a obesidade, a hipertensão arterial e a dislipidemia. Essas doenças juntas colocam o paciente como uma bomba atômica metabólica, caso ele não se cuide”, relata a endocrinologista.
Um simples exame de sangue pode revelar se você tem diabetes. Com uma gotinha de sangue e três minutos de espera, já é possível saber se há alguma alteração na taxa de glicemia. Caso a alteração seja considerável, será necessária a realização de outros exames, mais aprofundados.
Para ter certeza do resultado e assim começar o tratamento, o médico deve solicitar o teste oral de tolerância à glicose, mais conhecido como Curva Glicêmica. O exame é feito em diversas etapas, em que são coletadas amostras de sangue em um tempo determinado, geralmente de 30 em 30 minutos. Nos intervalos, o paciente deve ingerir um xarope de glicose. Os resultados são dispostos em um gráfico e permitem o diagnóstico preciso.
Compartilhar suas dúvidas com amigos e parentes de confiança pode revelar pessoas dispostas a apoiá-lo e ajudá-lo a mudar seu estilo de vida. Há ainda vários grupos de apoio e associações que não só ajudam com a troca de experiências, como fornecem informações importantes sobre o uso de monitores de glicemia e bombas de insulina. É importante comunicar a escola, o plano de saúde e a empresa onde você trabalha.

 

Tipos de Diabetes
Diabetes tipo 1: doença crônica hereditária, que concentra entre 5% e 10% do total de diabéticos no Brasil. Cerca de 90% dos pacientes diabéticos no Brasil têm esse tipo. Ele se manifesta mais freqüentemente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também. O tratamento exige o uso diário de insulina para controlar a glicose no sangue.
Diabetes tipo 2: ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. A causa do diabetes tipo 2 está diretamente relacionado ao histórico familiar, idade superior aos 45 anos, sobrepeso, sedentarismo, triglicerídeos elevados, hipertensão arterial e hábitos alimentares inadequados.
Pré-diabetes: é quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não estão elevados o suficiente para caracterizar um diabetes tipo 1 ou tipo 2. É um sinal de alerta do corpo, que normalmente aparece em obesos, hipertensos e/ou pessoas com alterações nos lipídios.
Diabetes gestacional: ocorre temporariamente durante a gravidez. As taxas de açúcar no sangue ficam acima do normal, mas ainda abaixo do valor para ser classificada como diabetes tipo 2.
Sintomas
Os principais sintomas da diabetes são: fome e sede excessiva e vontade de urinar várias vezes ao dia. Dependendo do tipo, há sinais específicos. No caso do tipo 1, pode ocorrer perda de peso, fraqueza, mudanças de humor, náusea e vômito. Já no tipo 2, os sintomas também envolvem cicatrização demorada de feridas, visão embaçada e formigamento de pés e mãos.
Dada a alta taxa de transmissibilidade do novo corona vírus e o impacto da COVID-19 nos sistemas de saúde, informar adequadamente a população sobre as medidas de contenção da doença é urgentemente necessário, particularmente, as pessoas dos grupos de risco que têm propensão de evoluir gravemente e com maior chance de óbito.
Em relação ao diabetes e a pandemia de COVID-19, ressaltam-se as seguintes informações
⦁ Pessoas com diabetes não parecem apresentar risco aumentado de contrair o novo coronavírus. Entretanto, uma vez infectado, quem tem diabetes tem mais chance de complicações graves de COVID-19, incluindo maior risco de morte;
⦁ O risco de agravamento de COVID-19 está aumentado tanto para o diabetes tipo 1 (DM1) quanto para o tipo 2 (DM2);
⦁ Contudo, o bom controle da glicose pode atenuar o risco de complicações na pessoa com diabetes;
⦁ Assim, seja DM1 ou DM2, o risco de agravamento relaciona-se a maior idade e   tempo de duração da doença, estado do controle metabólico, presença de doenças como hipertensão arterial e complicações do diabetes, especialmente doença renal – a COVID-19 pode causar insuficiência renal independentemente de diabetes ;
⦁ Vale ressaltar que pessoas com DM1 podem ter outras doenças imunossupressoras, como artrite reumatoide, que adiciona um estado de maior comprometimento imunológico.
Como enfaticamente tem sido recomendado pelas autoridades de saúde, e seguindo os exemplos de outros países, o isolamento social é essencial para conter a epidemia do novo coronavírus:
Em relação a medicamentos:
⦁ Não utilize antiinflamatório nem corticóide para controle de sintomas de COVID-19. Usar essas medicações pode piorar a função renal o controle da glicose;
⦁ Outros medicamentos, como Ibuprofeno, foram recentemente liberados para uso pela Organização Mundial de Saúde, mas o Ministério da Saúde mantém a recomendação de usar outra opção como analgésico;
⦁ Não altere suas medicações para tratar o diabetes e não suspenda o uso de medicamentos para a pressão arterial sem orientação médica;
⦁ Não há, até o momento, nenhuma recomendação para usar o medicamento hidroxicloroquina para prevenir ou tratar COVID-19. Portanto, não faça automedicação e não estoque em casa, pois haverá prejuízo para as pessoas que realmente precisam como lúpus, artrite reumatóide;
Cuide da sua saúde, tente manter hábitos saudáveis e evitar a diabetes nesse momento tão delicado, e se a tem mantenha o controle e melhora dos hábitos. Faça a sua parte! O isolamento será necessário para que você possa se reunir com a família e amigos ainda mais forte e saudável, em breve!
IMPORTANTE : Somente um médico pode diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar medicações. O conteúdo apresentado neste portal pretende apoiar e não substituir a consulta médica.
Referencias

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária á saúde (SAPS) Pacientes com diabetes contam com investimentos e cuidados no SUS. 2020. Disponível em < https://aps.saude.gov.br/noticia/10336 > Avcesso em 04 de fevereiro de 2021.

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diagnóstico e tratamento. 2019. Disponível em < https://www.diabetes.org.br/publico/diabetes/diagnostico-e-tratamento > Acesso em 04 de fevereiro de 2021.

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Diabetes e a pandemia de covid-19. 2018. Disponível em < https://www.endocrino.org.br/diabetes-e-pandemia-de-covid-19/ > Acesso em 04 de fevereiro de 2021.