Por Kimberly Ferreira Enfermeira – COREN RS 552072
Setembro é período do ano dedicado a conscientização para a importância dos cuidados com a saúde mental, durante os 30 dias do mês ocorre a campanha nacional Setembro Amarelo. O Rio Grande do Sul a anos ocupa o primeiro lugar no ranking dos estados com as maiores taxas de suicídio. Batalha que precisa ser estendida para todos os dias do ano.
O comitê de dados do governo do Rio Grande do Sul divulgou neste mês uma pesquisa que aponta os cinco grupos mais propensos a desenvolverem transtornos mentais durante a pandemia; os mais afetados são os professores e profissionais da saúde. De acordo com o relatório as maiores prevalências de transtornos comuns foram identificadas entre os profissionais da educação (média de 36,9%) e da saúde (27,7%).
Depois desses grupos, estão as crianças e jovens, pessoas com transtornos mentais pré existentes e em situação de vulnerabilidade social. Claro que o restante da população não citada também pode ser afetada, mas o poder público foca suas ações nos mais vulneráveis.
Em meio a pandemia de covid 19, os profissionais da saúde vivenciam a tensão ainda maior dos hospitais o que facilita uma desestrutura psicológica. A responsabilidade do profissional no dia a dia de trabalho somado ao medo de contrair a doença e transmiti-la aos seus familiares são fatores que colocam os médicos, enfermeiros e técnicos da área da saúde no grupo de pessoas com maiores prevalências de transtornos comuns.
As atuais medidas de isolamento podem intensificar os efeitos na saúde mental. Cabe a cada pessoa ficar atenta aos sinais de amigos e familiares, tais como mudanças bruscas de hábitos, perda de interesse por atividades de que gostava, descuido com a aparência, alterações no sono e no apetite, sentimentos de desesperança e comentários com tom de desespero.
Fique atento também a frases de alerta, os sinais para saber e agir, como: “Eu preferia estar morto” ; “eu não posso fazer nada”; “Eu não agüento mais”; “ Eu sou um perdedor e um peso pros outros”; “Os outros cão ser mais felizes sem mim”.
Depressão, dependência química, transtorno bipolar e outras doenças, mentais podem levar ao suicídio. Não esqueça que temos suporte de atendimento nos CAPS Centro de Atenção Psicossocial, se precisar procure ajuda. Também é importante lembrar que podemos ajudar pessoas próximas, familiares e amigos com simples ações. Confira a seguir os 4 passos que podem fazer a diferença:
  • Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio.
  • Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.
  • Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa
  • Se a pessoa com quem você está preocupado(a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.
  • Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.
IMPORTANTE : Somente um médico pode diagnosticar doenças, indicar  tratamentos e receitar medicações. O conteúdo apresentado possui apenas caráter informativo.
Referencias
Setembro Amarelo e suicídio. Universidade Federal de Pelotas. Disponível em < https://ccs2.ufpel.edu.br/wp/tag/setembro-amarelo/ > Acesso em 14 de setembro de 2020.
BRASIL, Ministério da Saúde, Prevenção de suicídio: sinais para saber e agir. Disponível em < https://saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio > Acesso em 14 de setembro de 2020.