Por Kimberly Ferreira Enfermeira – COREN RS 552072

 

 

1 – O que são bombinhas?

Bombinha é a maneira que as pessoas chamam todas as medicações inalatórias usadas no tratamento da asma. Esse nome vem dos primeiros dispositivos que surgiram e ainda existem. Na verdade, bombinha quer dizer o recipiente que é utilizado para armazenar os diferentes tipos de remédios (broncodilatadores e corticóides inalatórios). Hoje existem dispositivos com medicação na forma líquida (aerossol) e em pó. Uma mesma substância pode vir sob aerossol ou sob pó.

Os médicos preferem usar o termo dispositivo porque retira a idéia de que o remédio é ruim (bomba). Também faz o paciente entender melhor que dispositivo é a maneira como o medicamento será aplicado, tipo comprimido ou supositório. Dentro dele pode vir qualquer tipo de tratamento para a asma.

2 – As bombinhas viciam?

Mito. Nunca. Essa é a idéia errada mais comum entre asmáticos. Imagine uma pessoa com meningite e febre de 40 graus centígrados. A pessoa usa um remédio para baixar a febre, como dipirona ou paracetamol. Depois de algumas horas, a febre volta a subir e o paciente usa outra vez o antitérmico. Se ele não for ao médico para tratar a meningite com antibióticos, ficará usando remédios para baixar a febre muitas vezes ao dia. Isso significa que ficou viciado em dipirona ou paracetamol? Não. Significa que usou um remédio que nunca serviu para tratar meningite. Só para melhorar a febre. O mesmo ocorre com os dispositivos que têm broncodilatadores de curta ação também chamados de medicação de resgate. O paciente ao invés de tratar a asma, fica usando apenas uma substância para aliviar a falta de ar. Como usa muitas vezes, parece que está viciado.

Além disso, o tratamento da asma deve ser contínuo, pois quando se pára com o tratamento a asma volta. O tratamento com medicações controladoras da asma também é inalado. Esses remédios não curam a asma mas controlam muito bem, assim como hipertensão arterial e diabetes. Se você tomasse um comprimido todo dia para controlar a pressão ou o açúcar, acharia que está viciado nesses remédios?

3 – Bombinhas fazem mal para o coração?

Mito. Quando surgiram os primeiros remédios broncodilatadores para asma, eram substâncias que tinham como efeito colateral aceleração do coração (taquicardia). A sensação era bem desconfortável e as pessoas começaram a achar que o remédio atacava o coração. Com as novas e melhores drogas broncodilatadoras e os novos e melhores dispositivos, esse efeito foi desaparecendo. Algumas pessoas ainda têm a sensação de palpitação mas quando isso acontece é porque provavelmente estão inalando os remédios com a técnica errada. Ou porque estão usando na dose errada. Se você engolir 25 comprimidos de dipirona ou paracetamol, vai passar mal e ter muitos efeitos colaterais. Isso não significa que estes remédios fazem mal: você é que usou na dose errada!
O que faz muito mal para o coração é falta de oxigênio. E uma asma não controlada e em crise causa exatamente essa dificuldade de entregar oxigênio para o coração funcionar. Portanto, as medicações inalatórias para controle da asma são – ao contrário – amigas do coração!

4 – Corticóide inalado é perigoso ou faz mal?

Mito. Os corticóides inalados são as medicações mais importantes para o tratamento da asma. Exatamente por serem inalados, são corticóides mais modernos e potentes, que podem ser usados em doses muito pequenas. Nessas doses os corticóides inalados são seguros para ser usados em crianças, adultos, gestantes, diabéticos, enfim, quando forem necessários.

O medo dos corticóides vem da idéia dos corticóides ingeridos ou injetados que precisam de doses elevadas para fazer seus efeitos  e por isso podem, dependendo da dose e do tempo de uso, ter efeitos colaterais diversos entre os quais o aumento de peso. Isso não acontece com as doses usuais de corticóides inalados.

Os efeitos colaterais mais comuns dos corticóides inalados são locais e, em geral, podem ser prevenidos enxaguando a boca com água após o uso da medicação, gargarejando bem e não engolindo essa água (ou seja, cuspindo a água). Os efeitos locais dos corticóides inalados são rouquidão, pigarro e monilíase oral (sapinho).

5 – Posso usar a bombinha de outra pessoa?

Mito. Cada bombinha é única, já que a medicação varia conforme o tratamento. O tratamento é individualizado, por tanto sempre consulte um médico.

6 – Pacientes asmáticos devem manter o corticóide inalatório durante a pandemia de Covid-19?

Sim, pacientes com asma não são mais propensos a adquirir a infecção por coronavírus, porém são mais propensos a desenvolver complicações, se infectados pelo novo coronavírus. A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) recomenda manter o uso dos corticóides inalatórios durante a Pandemia.

Essa medicação age para controle da inflamação broncopulmonar, redução de sintomas e exacerbações, não devendo ser suspensa do tratamento do paciente com asma. O uso regular e correto de medicações inalatórias deve ser preconizado independente da circulação do coronavírus. As exacerbações são as principais causas de morbidade em pacientes com asma. A associação entre doenças virais respiratórias e exacerbação da asma é bem conhecida. Isso justifica e corrobora a manutenção do uso dos corticóides inalatórios no momento em que estamos vivendo.

 

IMPORTANTE : Somente um médico pode diagnosticar doenças, indicar  tratamentos e receitar medicações. O conteúdo apresentado possui apenas caráter informativo.

 

Referencias

Dra Rafaela Massaferri Alergia e Imunologia. Asma. 2020. Disponível em < https://gramho.com/explore-hashtag/corticoideinalatorio > Acesso em 21 de julho de 2020.

Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Asma. Brasília. Disponível em < https://sbpt.org.br/portal/espaco-saude-respiratoria-asma/> Acesso em 21 de julho de 2020.