Todos os meses, o endométrio fica mais espesso para que um óvulo fecundado possa se implantar nele. Quando não há gravidez, esse endométrio que aumentou descama e é expelido na menstruação. Em alguns casos, um pouco desse sangue migra no sentido oposto e cai nos ovários ou na cavidade abdominal, causando a lesão endometriótica.

A endometriose é uma doença caracterizada pela presença do endométrio – tecido que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos, mais comuns nos ovários, ligamentos que sustentam o útero e espaço entre o reto e a vagina ou o colo do útero.

Já os locais menos comuns incluem as trompas de Falópio, a superfície exterior dos intestinos delgado e grosso, os ureteres (canais que vão desde os rins até à bexiga urinária), a bexiga e a vagina. Raramente, o tecido endometrial cresce nas membranas que revestem os pulmões (pleura), no saco que envolve o coração (pericárdio), na vulva, no colo do útero ou nas cicatrizes cirúrgicas encontradas no abdômen.

A endometriose às vezes é hereditária e mais comum entre parentes de primeiro grau (mães, irmãs e filhas) de mulheres que têm a doença. Ela tem mais propensão de ocorrer em mulheres com as características a seguir:

  • Tiveram o primeiro bebê após os 30 anos de idade;
  • Nunca tiveram um bebê;
  • Começaram a ter a menstruação antes da época normal ou pararam de menstruar depois da época normal;
  • Têm ciclos menstruais curtos (menos de 27 dias) e têm menstruações com fluxo intenso e que duram mais de oito dias;
  • Têm determinadas anomalias estruturais do útero;
  • Têm mães que, quando estavam grávidas, tomaram o medicamento dietilestilbestrol (DES), receitado para evitar abortos espontâneos (esse medicamento foi banido nos Estados Unidos em 1971);

Não há consenso médico sobre as causas que levam ao desenvolvimento da endometriose, de modo que ainda é difícil falar diretamente em prevenção. Entretanto, diversos estudos sobre as características das mulheres que têm a doença ajudam a medicina a se aproximar de maiores respostas.

Os principais sintomas da endometriose são dor e infertilidade. Aproximadamente 20% das mulheres têm apenas dor, 60% têm dor e infertilidade, e 20% apenas infertilidade. Existem mulheres que sofrem dores incapacitantes e outras que não sentem nenhum tipo de desconforto. A dor da endometriose pode se manifestar como uma cólica menstrual intensa, ou dor pélvica/abdominal à relação sexual, ou dor “no intestino” na época das menstruações, ou, ainda, uma mistura desses sintomas. Existem mulheres que sofrem dores incapacitantes e outras que não sentem nenhum tipo de desconforto. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Cólicas menstruais intensas e dor durante a menstruação;
  • Dor pré-menstrual;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Dor difusa ou crônica na região pélvica;
  • Fadiga crônica e exaustão;
  • Sangramento menstrual intenso ou irregular;
  • Alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação;
  • Dificuldade para engravidar e infertilidade.

Existem exames que podem ser realizados para a identificação da endometriose, que são:

 Ultrassonografia transvaginal – é um dos procedimentos de menor custo que permite a identificação de endometriomas, aderências pélvicas e endometriose profunda.

Ressonância magnética – Exame mais caro, a ressonância magnética apresenta melhores taxas de sensibilidade e especificidade na avaliação de pacientes com endometrioma e endometriose profunda.

Outros exames complementares ainda podem ser solicitados pelo médico, como a ultrassonografia transretal, a ecoendoscopia retal e a tomografia computadorizada. Após a identificação de alguma alteração, o médico poderá optar por realizar uma biópsia da lesão encontrada, de modo a confirmar o diagnóstico.

O tratamento da endometriose depende dos sintomas da mulher, dos planos para a gravidez e da idade, assim como da fase da endometriose. Mas no geral são recomendados dois tipos de tratamento

Tratamento com medicamentos: Existem diversos medicamentos disponíveis no mercado para tratar a endometriose, como: analgésicos, anti-inflamatórios, análogos de GNHR, Danazol e Dienogeste. Atualmente também é possível reduzir os sintomas utilizando o DIU com levonorgestrel. Não existe cura permanente para a endometriose. O objetivo do tratamento é aliviar a dor e amenizar os outros sintomas, como favorecer a possibilidade de gravidez e diminuir as lesões endometrióticas.

Tratamento cirúrgico: Nesse procedimento, a endometriose é removida por meio de uma cirurgia chamada laparoscopia. Em alguns casos, é possível eliminar apenas os focos da doença ou as complicações que ela traz – como cistos, por exemplo. No entanto, em situações mais sérias, o procedimento precisará até remover os órgãos pélvicos afetados pela enfermidade. Dependendo das condições da doença, é possível recorrer a tratamento por laparoscopia, com laser. Também é possível a realização da videolaparoscopia, na qual diagnosticará o número de lesões, aderências, a obstrução tubária e já tratar a doença.

 

 IMPORTANTE : Somente um médico pode diagnosticar doenças, indicar  tratamentos e receitar medicações. O conteúdo apresentado possui apenas caráter informativo.

 

Referencias

BRASIL, Ministério da saúde. Doenças femininas: Saúde da mulher, Endometriose, 2020. Disponível em <http://cdd.org.br/saude-da-mulher/?gclid=EAIaIQobChMIttCzrv6G7AIVUweRCh3HJgwgEAAYAiAAEgLf7_D_BwE#1> Acesso em 26 de setembro de 2020.

BRASIL, Ministério da saúde. Problemas de saúde feminina. Endometriose. 2020. Disponível em<https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-feminina/endometriose/endometriose > Acesso em 28 de setembro de 2020.

 

Por Kimberly Ferreira Enfermeira – COREN RS 552072